Na Capa do Cd a Jequitiranabóia foi feita pela técnica da xilogravura pelo Mestre Jerônimo Soares

Pareceres:

Começo a agradecer ao escritor Zé Campelo o convite para vir a São Bernardo do Campo, falar acerca da obra de Fernando Pessoa. Já não nos víamos há bastante tempo e foi com prazer que eu e minha Mulher o recebemos há dias em nossa casa, em São Paulo, quando ele lá esteve com a Esposa e a Filhinha. Fomos um dos comentadores do livro Ponte Nova Rio Velho, que nos deu a oportunidade de conhecer o sentido da poesia de Zé campelo – esperamos que ele, continue o caminho que chamou no primeiro verso do seu livro de ”trilhas poéticas, / Sonda infindável, aventura dos anos”. Este conceito poderá aplicar-se também a Fernando Pessoa, poeta múltiplo com dezenas de autores dentro Dele - aqueles heterônimos, tanto em verso com em prosa.

João Alves das Neves

Zé Campelo é um homem dos sete instrumentos escritor, compositor, poeta e intérprete”, One man show contador de histórias e encantador de crianças de qualquer idade desde as bem pequenas.

Haja vista este CD infantil, com canções e poemas graciosos e singelos, sobre toda sorte de assuntos, tudo muito divertido, gostoso de ler e ouvir. Coisas para criança alguma botar defeito.

Tatiana Belinky

 


-----------------------------------

 

Autor Zé Campelo

Sopas

Estava à toa
Engolindo insetos
Numa boa
Beirando às margens
Da lagoa
Debruçado como estivesse
Bem na proa
Ouvindo sussurros do mar
E urros de leoa
Ora estrelas
Ora garoa
Outros mil entoavam
Como entoa
Coaxando para elas
Suas mais sinceras loas
Ziguezigues dormiam
Nas taboas
De longe a cantiga
De quem ensaboa
Não passava iates, barcos.
Só canoa
Água era tanta hoje tão rara
Parece que voa...
Lagoa era larga, agora.
Menor que uma broa
Doa a quem doer
Mas se esta cantilena ecoa

 


-----------------------------------

 

 

Autor Zé Campelo

A Tartaruga
Rozevaldo Silva Soares

Pegou a mochila, arrumou os cadernos
os lápis, a borrachas e o apontador

- Não esqueça a água.
- Pai você faz o meu lanche,
Põe suco de uva. E é só duas bisnaguinhas.

Na sala de aula Rozevaldo
voltava a sonhar
com seu carro de formula 1
ele com seu capacete personalizado
e zum! Zum!
a professora Senhorita Analins chamava-o:

- Rozevaldo fez a lição?
- O que?
- A sua lição já na mesa.
No recreio ele
descia no escorregador
a mão firme na direção
o olhar fixo na estrada
brum brum! Roncava o motor.

Queria ser mesmo piloto
de Formula 1, nos carros
mais velozes do mundo.
Até para andar era rapidinho
adorava a velocidade
em casa o sofá se transformava num carro
na escola a carteira
no parque o escorregador
e tudo em alta velocidade.
Colecionava figurinhas de automobilismo.
Tinha fotos até do pai em sua motocicleta na profissão de motoboy.

Desenhava em todos os seus cadernos
vários carros de corrida.
Ia ser piloto.
Só a mãe não queria
o pai achava um barato ter um filho
na formula 1.
Ele, Rozevaldo Silva Soares
“Campão Mundial”
erguendo a bandeira do Brasil
dando a volta no autódromo
acenando para todos...
Brasilsilsilsil!